19/01/2012

VIda e combate.


De tempos em tempos tenho um ímpeto de seriedade. Não que eu não seja sério,  na verdade, demasiado sério- raiz de todos os meus males. O problema é que não há outro meio para a virtude que não passe por nossos males mais obscuros. É preciso escarafunchar a lama, provar todo fel e beber todo cálice. Não há outro meio. Alguns seres conseguem passar parte ou toda vida fugindo ou opondo-se  a sua miséria com o pretexto de alegria. O máximo que conseguem é entretenimento- júbilo autêntico só se encontra no avesso do desespero e para chegar lá é necessário conhecê-lo, não pela poesia, mas lidando com ele. O júbilo não terá semelhança com o que se conhece como felicidade, mas trará a confiança de uma pacificação pelo bom combate. Ao fim acabei voltando ao desgastado poema, escrito por um que viu o desespero bem de perto:

Não chores meu filho; não chores que a vida é luta renhida: viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os forte, os bravos, só pode exaltar. 

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