De tempos em tempos tenho um
ímpeto de seriedade. Não que eu não seja sério,
na verdade, demasiado sério- raiz de todos os meus males. O problema é
que não há outro meio para a virtude que não passe por nossos males mais
obscuros. É preciso escarafunchar a lama, provar todo fel e beber todo cálice.
Não há outro meio. Alguns seres conseguem passar parte ou toda vida fugindo ou
opondo-se a sua miséria com o pretexto
de alegria. O máximo que conseguem é entretenimento- júbilo autêntico só se
encontra no avesso do desespero e para chegar lá é necessário conhecê-lo, não
pela poesia, mas lidando com ele. O júbilo não terá semelhança com o que se
conhece como felicidade, mas trará a confiança de uma pacificação pelo bom
combate. Ao fim acabei voltando ao desgastado poema, escrito por um que viu o desespero bem de perto:
Não chores meu filho; não chores
que a vida é luta renhida: viver é lutar. A vida é combate, que os fracos
abate, que os forte, os bravos, só pode exaltar.
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