Decidimos que só teremos empregada
a cada 15 dias, uma diarista para limpeza pesada e passar as roupas. A experiência
de limpar a casa mostrou-se como uma revelação tardia (já moramos aqui há 8
meses) dos meus poderes. Sou capaz de limpar e dar conta do apartamento. Se não
fossem as dores no pescoço tenho certeza que seria capaz de limpar a casa todos
os dias só pelo prazer de ver o piso brilhando e o toque dos meus pés em
terreno sagrado. Parece clichê, mas os trabalhos domésticos disciplinam os
humores; no meu caso, por exemplo, ajuda a controlar o ímpeto do meu corpo- a
força do meu sangue que se mexe... Quem me conhece sabe. Há aqueles que o
sangue não corre, pulula. É o meu caso. Não, não há orgulho nisso; pelo
contrário, pode ser um fardo contra o qual se luta mesmo que a vitória seja
improvável, mas se luta.
Depois da limpeza resolvi que
precisava de um novo livro- estou com “isso” desde o início do ano: um livro
para dar o tom das coisas, pra limpar a cabeças das férias, para botar o
cérebro pra pegar no tranco. Mentira. Eu quero mesmo um livro que cesse, de uma
forma ou de outra, o tédio de início de ano e que me faça desabrochar para as
coisas. Tá bom, eu sei, eu tenho uma dissertação para terminar até o fim de
julho, mas é por isso mesmo. Ler coloca qualquer um na vibe de escrever. Bem, qualquer um não. Tem “as gentes” que não
pegam no tranco nem na ladeira... Sem simpatias hoje; estamos combinados?
Trecho do novo livro:
“Qual casamento não compreende um
repertório incontável, uma linguagem de gestos, uma sensação de reconhecimento
aguda como uma dor de dente? Infeliz, sem dúvida. Qual casal não é infeliz, ao
menos parte do tempo? Mas como pode a taxa de divórcio estar, como dizem,
disparada? A que ponto você teria de se sentir desgraçado para ser capaz de
suportar a separação em si, sair e ir viver sua própria vida tão absolutamente
irreconhecível?”
A música da limpeza foi Celine
Dion, que alias tenho ouvido desde ontem quando descobri que o Anonymous colocou à disposição quase todo
catálogo da Sony. Quem quiser, aqui. Celine me leva de volta a ’99, ’98, anos
ainda verdes de minha vida, mas não menos deliciosos nos quais eu vivia a
pureza da imbecilidade. Falo isso para vocês que ainda são imbecis...Há
esperança. Mas não é Celine a imbecilidade, não, Celine só é cafona e nisso não
há pecado. Porque hoje trato de amenidades.
Claro, dêem uma trégua. Todo mundo tem dias que não está querendo nada,
nem dizer nada, nem pedir nada. Nesses dias a gente só quer uma coisa: que a
vida não passe irreconhecível. Este espaço nasceu assim. É certo que há várias
formas de pedir reconhecimento, sendo o pedido a pior delas. Só o tempo dirá se hoje eu espero reconhecimento de outras formas menos frustrantes. Só o tempo. Por
enquanto a emprega fica mesmo de 15 em 15.
* o livro que estou lendo é do Michael Cunningham, Ao anoitecer. O autor é novo pra mim, mas já me falaram muito bem. Depois eu conto.
2 Dizeres:
Também não tenho empregada. Faço tudo (uu não faço!haha). E concordo plenamente com você de que o trabalho doméstico disciplina os humores, os hormônios...
Quanto ao livro...Amo Michael Cunningham, mas esse é o pior livro dele. Minha decepção literária em 2011. Tomara que você o leia diferentemente, com outros olhos.
Abraços
SB
...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...
desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ
COMPARTIENDO ILUSION
RAFAEL
CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...
ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE SIÉNTEME DE CRIADAS Y SEÑORAS, FLOR DE PASCUA ENEMIGOS PUBLICOS HÁLITO DESAYUNO CON DIAMANTES TIFÓN PULP FICTION, ESTALLIDO MAMMA MIA, TOQUE DE CANELA, STAR WARS,
José
Ramón...
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