18/11/2011

Como se analisa hoje?

Muito se fala hoje no meio Psi sobre nova economia psíquica, novas estruturas; um mundo novo onde as velhas neuroses, perversões e psicoses já não fazem muito sentido. Ora, apesar dessa reflexão ter sua pertinência para discussão no campo psicanalítico, uma pergunta não tem sido feita:  quem são os psicanalistas hoje? O peso da coisa permanece sempre do lado do novo sujeito que se apresenta ao psicanalista em sua clínica, mas poucos param para pensar : e o psicanalista? O que mudou no seu lado?

Lacan se fosse vivo, provavelmente, repetiria sua máxima: a resistência é, em última instância, sempre do analista. O sujeito não resiste; o inconsciente insiste em aparecer, o desejo quer sempre mais. Os analistas por sua vez podem ser questionados também. Conheço não poucos que depois de sairem da universidade exibem seus cartões de visita, sem o mínimo pudor, com a alcunha de psicanalista. Como se deu sua formação e, principalmente e acima de tudo: como foi sua análise? Ou pior: fez análise? Como chegou a querer ocupar essa função que é ser analista? 

Que novas formas de sintomas apareçam isso não deveria ser novidade- o sintoma se faz  no laço social, na direção de uma cena social na qual o sujeito pode tentar realizar seu desejo e de onde recebe algum sentido ao não sentido de seu corpo, sexualidade e tendências agressivas. O social muda e o sujeito responde a ele de maneiras diversas. Isso tudo bem. Mas, dizer que não temos mais neurose é tomar consequências demais de onde não se pode. Como disse enigmaticamente Lacan: para se tirar um coelho da cartola é preciso primeiro colocá-lo lá....lacanês para não-tolos... De minha parte acho que quem deseja se tornar analista hoje não pode simplesmente repetir um discurso que podemos encontrar facilmente hoje em qualquer universidade ou nos mais recentes estudos psicanalíticos na universidade. Aí se vê jovens aspirantes a psicanalista repetindo jargões: " não tem mais histérica...não chega neurótico na minha clínica". Antes disso penso que precisamos repensar nossa formação, reafirmar o valor da análise pessoal no surgimento de um analista e o estudo sério e rigoroso da psicanálise. Além disso uma significativa prática clínica antes de portar as armas de psicanalista. Uma coisa pode ser certa: que as pessoas ainda procuram analistas quando sofrem ainda é verdade, o que eu não sei é se quando elas chegam nos consultórios lá encontrem psicanalistas. E se não há psicanalista como pode haver desejo de análise? A pergunta de Lacan, " como se analisa hoje?" permance mais atual do que nunca. Quem serão os analistas de amanhã?







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