Não há nada de errado em entrar
no elevador, olhar-se demoradamente no espelho; o olhar, o sentimento de
cotidiano, da repetição, do mesmo. Não é tedioso, por que tem que ser? Entrar em
casa, devagar, tomar água, fechar a porta da geladeira. Apagar todas as
luzes. No quarto tirar a camisa, coloca-la
no cabide e ele no devido lugar. Sentar na cama, tirar as meias, sapatos; meias
dentro dos sapatos, sapatos no guarda-roupas. Não há nada de errado no ato
comum de viver. Alguém dirá: não há nada comum em viver. Sim há. Viver é absolutamente comum; que haja
beleza no mundo, na vida, nos momentos peculiares de uma vida, há. Às vezes é belo ser comum quando um olhar desacostumado
vê. Mas, há algo libertador nas ações ordinárias tão necessárias à vida. Ficar bem em seu próprio elemento, aceita-lo,
não, de verdade abraçá-lo e depois de repeti-lo por algum tempo, talvez
abandoná-lo, recusá-lo, odiá-lo, sim, depois de tudo, por fim...Amá-lo.
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